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terça-feira, 26 de novembro de 2013

PASSISTAS E MALANDROS, ENTRE A VIDA E O PERSONAGEM



Há muita discussão e barulho nesse tema que permeia questões de expressão artística, religião e gênero sexual entre os passistas masculinos. Passista é todo sambista que domina o samba no pé, o solista da dança do samba com grande capacidade comunicacional através desta dança. Institucionalmente, deve estar ligado a uma ala de passistas em alguma escola de samba ou bloco.  

Mas o que tem a ver passistas com malandros? Selecionei alguns estudos e depoimentos de alguns sambistas sobre o assunto.

Segundo Roberto Goto: "A estória da cultura brasileira registra duas linhagens de malandros: uma do século 16, iniciada com o hábil menestrel Francisco de Vacas, incorrigível comparsa de D. Álvaro da Costa Filho, o primeiro boêmio do Brasil; a outra viria dos africanos, do negro ladinos que por força dos martírios da escravidão, obrigava-se a aprender as artimanhas de seus pares, com quem convivia, para evitar punições  e garantir sua segurança"

Há muito que a figura do malandro habita o imaginário brasileiro, fazendo-se presente nas formas de saber ligadas à tradição oral. A origem do malandro está ligada às camadas negras e pobres da população e remonta ao final do século XIX, com a abolição da escravatura. Em tal cenário, a negação do trabalho, por parte de negros recém-libertos, aparecia como forma de recusa a qualquer ameaça à liberdade então obtida. Muitos assumiam trabalhos temporários, que logo eram substituídos pelo ócio e pela vadiagem. Empenhavam-se em usar seus corpos para o prazer, como possibilitado, por  exemplo, pela dança (CABRAL, 2012).

O que não quer dizer que todo "malandro" sambasse. Meu avô, Oscar Ferreira Martinho foi um grande malandro de sua época, mas pelo que eu sei, não sambava. Tive a oportunidade de conhecer muitos Malandros e nenhum deles gostava muito de sambar no pé. Vejamos o que contou  Herivelton Martins numa entrevista à José Carlos Rego:

"O comportamento das pessoas modificava-se lentamente nos anos 40, homem por exemplo, não sambava fora do morro. Nos desfiles apenas evoluía, marcava passo, mas não sambava" (REGO, 1996).

E mais opiniões a respeito:

"Quem falar em samba de malandro atualmente, ou não sabe o que é samba ou não sabe o que é malandro"
Dionísio Mendes, ex passista, ex mestre-sala e atual membro da diretoria do Salgueiro.

"Não existe samba de malandro, existe samba masculino"
Wagner Gaspar, passista.

"O tão falado samba de malandro é para mim apenas uma opção de estilo de bailar, se vestir, e consequentemente se comportar [...] malandro não está condicionado a ser passista [...] sofro influencias de outras danças populares e acho importante em virtude da individualidade criativa do passista"
Fábio Batista, passista, bailarino e coreógrafo.

Atualmente quase todas as alas de passistas masculino adotam o estilo "malandro", o que se traduz no figurino e na coreografia, que juntos compõe o personagem do malandro.
Quanto ao figurino é bem verdade que os ternos "a la" malandro anos 30, só são usados nos ensaios e em algumas esparsas apresentações, já que no desfile os passistas masculinos vestirão uma fantasia adequada ao enredo, que geralmente em nada lembra o tal perseguido estilo malandro.
Entendo o samba, e me refiro à dança, como algo natural no passista, algo que flui, que lhe escapa, de maneira quase incontrolável quando ele ouve o samba. Seus passos são irrepetíveis, criativos e improvisados. Não há lugar para coreografias que interfiram no samba propriamente dito. E as expressões corporais são oriundas de sentimentos pessoais e da cultura. Quem nos confirma isso é Gabriel Castro, coordenador de passistas do GRES Imperio Serrano e defensor do estilo ao relatar toda sua vivência numa família de sambistas:

" [...] este personagem começou a se compor dentro de mim ainda na casa da família do meu pai [...] tinha seis tios, todos malandros [...] o samba faz parte de mim desde minha concepção [...] além da própria família observava os mais antigos [...] como efetivamente não tive ninguém prá ensinar-me, desenvolvi um estilo próprio [...] .

O mesmo serve para o estilo malandro de ser. Um estilo é próprio, é pessoal, se encaixa ou não, deve ser natural na pessoa que o adota. Como se pode querer impor a alguém algo que não faz parte da sua vivência cultural? Marcel Mauss afirma que tudo que fazemos com nosso corpo é resultado da nossa formação cultural.
E a discussão se agrava no tocante aos homossexuais. É inegável que muitos passistas são homossexuais. Se por um lado não devem sambar como mulheres, por outro, não devem ser obrigados a sambar como se malandros fossem. Resultado dessa imposição: uma imitação forjada e de mal gosto. Ah! mas antigamente os passistas homossexuais sambavam como homens. Ok. Mas antigamente, não só no samba, como em qualquer outro lugar da sociedade, os homossexuais eram proibidos de "sairem do armário", no samba não seria diferente. Mas as coisas mudaram e recentemente um passista de uma escola do grupo especial no Rio de Janeiro ameaçou processar seu coordenador acusando-o de homofóbico por ter censurado seu jeito de sambar, comparando-o a uma cabrocha.
Observo uma certa carência na construção de identidades dos passistas a partir das suas próprias vivências no samba, parece haver um certo desconhecimento acerca de suas próprias representações, o que acaba propiciando métodos estranhos de transmissão deste saber. Se um passista precisa ser ensinado a sambar, ele não é um passista. A beleza do samba dançado está na originalidade. E o mais curioso é que os passistas mais expressivos afirmam que não foram ensinados, não receberam aulas nem qualquer instrução, aprenderam por convívio e observação.
Prevalece um antigo ditado popular: "Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço"
E você, o que pensa sobre isso?

quarta-feira, 13 de março de 2013

A VELHA GUARDA DOS PASSISTAS



A partir de uma inquietação pessoal, andei pensando sobre o lugar dos passistas veteranos nas escolas de samba. Atualmente observa-se um boom no meio deste segmento, onde se percebe uma onda de destaque e valorização muito bem vinda. Os debates e propostas estão surgindo num movimento dentro do próprio segmento, o que o reveste de uma maior credibilidade e legitimidade.    

Termos como “malandros” “bambas”, “cabrochas”, referências do passado (anos 20/30), são agora, comumente utilizados, embora antes tivessem um caráter personalíssimo, ou seja, era uma característica do indivíduo sambista, ou seja, um sujeito que dominasse a arte do samba, poderia sem constrangimentos, desfilar em várias escolas, porque seu prazer estava na arte de sambar, muito embora isso pouco acontecesse em razão da distância entre as primeiras escolas e a predominância do espírito de grupo. Mais tarde, com a organização das escolas de samba (1950), o elemento agora chamado “passista” passou a agrupar-se e  identificar-se com uma agremiação específica.
         
O passista sempre esteve, de alguma forma, “assombrado” por alguma ameaça. Ora é o temor de que as mudanças no carnaval sejam tamanhas que os elimine de vez dos desfiles; ora um “corte” perpetrado por algum dirigente num determinado ano, em fim, o passista vive no dilema entre o SER e o ESTAR.
        
Alguém é passista hoje e deixa de sê-lo amanhã? No trabalho de dissertação de mestrado apresentado na Universidade Federal do Rio de Janeiro por Simone Sayuri Takahashi Toji (SAMBA NO PÉ E NA VIDA: CARNAVAL E GINGA DE PASSISTAS DA ESCOLA DE SAMBA ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA) ela afirma: “[...] A carreira de passista depende totalmente da sua performance, e esta por sua vez é dependente do vigor físico do indivíduo. Por isso, é uma carreira que tende a atingir seu maior desenvolvimento durante a juventude e a maturidade física, declinando conforme o intenso envelhecimento da pessoa [...] Assim como os esportistas, a carreira do passista se escora grandemente nas suas habilidades e aparência físicas e, com o avançar da idade, vai se tornando cada vez menos recompensadora. Conforme conversamos com diversos deles, a carreira pode terminar por volta dos 40 e 50 anos, “até quando as pernas aguentarem” ou “o corpo segurar o biquíni”. A partir daí, os passistas, tanto femininos quanto masculinos, passam a ocupar posições que lhes exige menos fôlego do corpo”.
          
Alguns, após essa mudança de status, ou seja, quando deixam a ala de passistas, procuram buscar outros espaços dentro da escola de samba, seja numa ala de comunidade, seja na diretoria, ou até mesmo se afastam por completo, guardando na memória histórias de momentos mais ou menos célebres de sua trajetória.
         
Acreditamos, entretanto, que as coisas podem e devem ser diferentes. O que determina e qualifica um passista é, antes de mais nada, sua aptidão e domínio sobre a dança do samba. Nesse sentido, crianças, jovens ou idosos podem sambar e consequentemente serem passistas, independentemente de suas idades. Temos alguns exemplos tais como “Vitamina” (Salgueiro - 80), Celso (Mangueira – 57), Jofre (Mangueira – 60), Aldione (Vila Isabel- 57), Valci (Portela – 44), Nilce Fran (Portela – 48), Indio (Mangueira -50) . Vale destacar, que pelo menos dois destes – Valci Pelé e Nilce Fran foram premiados com o Estandarte de Ouro, premio concedido pelo Jornal O Globo, como os melhores passistas do Carnaval 2012.
          
O problema que persiste é que apenas alguns poucos passistas conseguem continuar desenvolvendo seu ofício com prestígio e dignidade, principalmente as mulheres, bastante prejudicadas pelos figurinos de fantasias e uniformes de ala cada vez mais infanto juvenis.
          
Ano passado havia na mangueira uma ala para casais e que caiu como uma luva nas mãos de “ex” passistas. O figurino reunia a leveza necessária e a estética adequada para um casal de passistas adultos, mas o figurino não objetivava vestir passistas, foi apenas uma alegre coincidência que favoreceu a muitos “ex-passistas”. 
          
Acreditamos que cada coordenador de ala deveria buscar junto a direção de carnaval, reintegrar antigos passistas que possam e queiram ainda desfilar sambando, conscientizando diretores e carnavalescos da necessidade de se elaborar figurinos adequados e com isso valorizar aqueles que tanta dedicação prestaram à escola e ao samba. São os mais velhos que guardam o passado da escola.
          
Em 2012 inauguraram-se as comemorações do Dia do Passista com palestras e shows no SESC Madureira. Em 2013, organizou-se um grande e belíssimo desfile na Marques de Sapucaí que reuniu alas de passistas de diferentes escolas e grupos. Muitas homenagens mais que merecidas, mas a maior premiação que um passista pode ganhar é ter seu espaço assegurado no desfile de sua escola. E se as escolas desfilam atualmente com uma média de 4.000 componentes, certamente haverá lugar para 20 ou 30 passistas que o tempo não fez parar.

Silvia Borges

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

ELEIÇÕES NA MANGUEIRA

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Aconteceu ontem a noite, no Clube dos Suboficiais e Sargentos do Exército, a segunda reunião do comitê eleitoral do candidato Chiquinho à presidência da Mangueira, cuja eleição, sob judice, se realizará em abril próximo.

O clima era tipicamente mangueirense: discursos inflamados, emocionados, lágrimas, a entrada triunfal da bandeira da escola conduzida por baluartes importantes, como Nelson Sargento, o hino cantado por todo eleitorado foi o ponto alto da reunião.

Chiquinho é um nome de coalizão, um nome que reúne,  que congrega, até pq não teve a imagem desgastada desde o início da disputa. Importante também é o apoio que recebe de antigos presidentes com gestões bem sucedidas, como Elmo e Alvinho.

O que se percebe é o anseio por uma mangueira mais família. Uma quadra mais cuidada. Espera-se com a eleição de Chiquinho, a recuperação da imagem da mangueira como uma escola apresentável, patrocinável, que investe em projetos sociais, promove a cidadania através do samba, do esporte, da educação e do trabalho.

Uma escola de samba como a Mangueira, que bem ou mal, promove eleições democráticas, acaba por enriquecer com gestões diversas. Creio que cada Presidente, de alguma forma, colaborou com a estória da Mangueira. Cada gestão destacou potenciais diversos dentro de uma mesma Mangueira. E novas eleições servem justamente prá isso: prá abandonarmos o que não deu muito certo e recuperarmos o que de importante ficou prá trás, aperfeiçoando sempre!








quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A MORDAÇA NO CARNAVAL

Ante os abusos cometidos por Rosa Magalhães, Passista Jivago e Silvia Borges, o Ministério da Cultura, a Riotur e a Liesa, informam e tornam público o manual do “sambista” componente de escola de samba. Um guia para tirar todas as suas dúvidas, se é que isso é possível!

É permitido:

1- Respirar (se não for com uso de aparelhos que possam descaracterizar a fantasia)
2- Rezar ou orar à deus (cantando, preferencialmente, no ritmo do samba)
3- Fazer sexo (apenas 1 vez para estar descansado pro desfile)
4- Defecar (na coz azul)
5- Urinar (na cor branco ou prata)
6- Cortar pelos pubianos (obedecendo a padronização, todo mundo reto e nivelado)
7- Beber água (com moderação para não estufar o abdômen e atrapalhar a coreografia)
8- Sorrir (mantendo sempre alguns sorrisos guardados para a hora do "PRÁÉÉÉÉLA"!).
9- Chorar (só é permitido chorar por 30 seg na concentração, durante a fala do Presidente – obs: se falar muita merda, pode estender prá 1 min)
10- Cumprimentar os colegas ao final do desfile (apenas com autorização expressa da diretoria)

 É proibido:

1- Reclamar do samba, da fantasia, de impontualidade, da chuva, do mal tempo, do mal gosto, de idiotices, babaquices, burrices, da Guerra da Síria, do Afeganistão, do Renam Calheiros, da Dilma, de Salve Jorge, do BBB ou qq outra coisa que ameace a escola ou o emprego de alguns.
2- Falar mal do Presidente (sob pena de prisão ou tortura)
3- Expressar pensamento ou opinião contrário ao status quo estabelecido, sob pena de ser considerado “crítica destrutiva”.
4- Ingerir bebidas alcoólicas - Lei Seca da Folia - (sob pena de multa superior à da Lei Seca Federal)
5- Olhar para os lados, tirar fotos, dar tchalzinho ou mandar beijinhos prá mãe na tela da Globo. Para evitar essa infração, recomenda-se o uso de viseiras, nas cores da escola, claro.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

ODEIO CAMAROTES

Se tem algo que eu definitivamente não gosto é de camarotes. Pensei bem antes desta postagem, prá descobrir se não estaria, mais uma vez, sendo xiita, ou até revelando algum recalque por não ter um camarote só prá mim nos lugares que frequento. Depois de rigoroso exame de coinsciência, posso afirmar sem medo de errar: EU ODEIO CAMAROTES! Parece que a origem dos camarotes está no teatro, mas nas escolas de samba, acho totalmente out. Escola de Samba era antes terreiro, que nos remete para a ligação samba/candomblé. Então samba se fazia no terreiro, nas rodas, nas batucadas. Tudo bem que isso já passou,que as coisas mudaram, que o samba é produto e muito bem vendável, mas não custa nada registrar, principalmente pq nem tudo foi descaracterizado. Até entendo pessoas "estranhas" ao samba quererem ficar nos camarotes para não se misturarem com a ralé. Mas o sambista querer ficar olhando por cima, aí já é demais! Não acho bacana lugares que deveriam ser populares estabelecerem espaços separatistas. Acho que nos espaços destinados à cultura não deveria haver acepção de pessoas. Estive um dia desses na Vila Isabel e presenciei uma cena patética: a quadra vazia, o casal de MS e PB são levados por dois diretores de harmonia até bem perto da entrada onde no alto se projeta um camarote todo rodeado de vidro, e dali, tentam, a todo custo, chamar a atenção de uma mulher que está dentro dele, branca, de aproximadamente 65 anos, absolutamente sozinha em sua gaiola majestosa. Distraída, talvez lendo um livro, ou enviando msg do seu celular. Os diretores acenavam, assobiavam, gritavam e nada! Eles se entreolham e percebem o quão ridículo é aquela situação, quando então ela os vê, e sentada, aplaude nem sabe o quê, de dentro de sua majestosa gaiola de vidro. A Portela, há menos de uma década não tinha camarotes em sua quadra e as mesas não eram vendidas. Ah! havia sim, dois camarotes: um prá bateria tocar nos ensaios de sexta-feira e outro onde ficavam os intérpretes. Salve Jamelão! Pq nos ensaios técnicos realizados as quartas-feiras, a bateria se armava no chão. Tempinhos depois, a Portela, copiando o que há de pior em algumas co-irmãs, constrói um camarote de vidro e numa feijoada, recebe convidados, que a tudo olham com suas caretas no vidro amassando seus narizes!!! kkkkkkkkkkk... Na Mangueira havia dois camarotes e me lembro bem deles: um presidencial e outro prá convidados (vips). Mas não havia muito controle sobre quem entrava ou saia dos camarotes e os presidentes da época pareciam não se importar se alguem estava entrando ou saindo daquele espaço. Não havia tanta frescura nem tanta firula. Na Grande Rio, a escola dos artistas, o camarote presidencial é um luxo, assim como de seus parentes e fiéis companheiros de labuta. Na época em que queriam a posse definitiva do terreno onde estva construída a quadra e mais um qualquer prá reforma grandiosa que fizeram, o discurso era: A GRANDE RIO É DO POVO DE CAXIAS! Mas a pergunta que não quer calar: quando algum pobre coitado ousou sequer chegar perto dos camarotes luxuosamente construído na quadra que é do Povo??? Acho que o camarote em si é apenas um símbolo dessa desigualdade que me aborrece, dessa inversão de valores, onde se valoriza quem em nada contribui e quer apenas se autopromover através da escola de samba, enquanto se ignora e desprestigia o elemento da comunidade. É por isso que eu odeio camarotes!

sexta-feira, 23 de março de 2012

O RETORNO DA PASSISTA

Depois de 10 anos sem desfilar, voltei com minha querida Mangueira. Fui a uns 04 ensaios na quadra, e a quase todos os de rua. Tanto tempo sem sambar, já tendo me tornado uma vovózinha, fui chegando devagar, me reencontrando com meus amigos Célio, Celso, Indio, Jivago, revendo outros tantos, Cida, Olimpia, Benilton, Rode ... Mas o desfile foi meu tira-teima. Eu estou ótima!!! Sambei o desfile inteiro e no final, estava pronta prá continuar, percebendo nitidamente que a experiência é um diferencial. Respeitem quem pode chegar onde a gente chegou! Depois comemoramos o aniversário do nosso grande amigo Jofre, passista da antiga, ainda hj na ala, ensinando aos mais jovens. O bolo viajou de Xerém até os Correios, chegou meio quebrado, mas o que vale é a intenção. Agradeço a Deus, de todo meu coração, por ter podido viver, mais uma vez, a grande alegria que é desfilar pela minha escola Estação Primeira de Mangueira!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

DE MALUCO E DE JURADO TODO MUNDO TEM UM POUCO

A sorte foi lançada, e suas cores me parecem azul e branco. A Portela estava linda! Unida e confiante. Tudo me pareceu tão coerente, tão harmônico! Um samba maravilhoso, um tema que nos levou novamente a Bahia e a todos os seus encantos. Quadra reformada, Marcelo Jacob na Harmonia, Marçalzinho na Bateria, Nilce e Valci com seus projetos ligados a dança do samba com crianças e jovens da escola, em fim, uma Portela merecedora de ser campeã. Vila Isabel do negro Rei Martinho, deixou a todos sem palavras, extasiados! A REDE GLOBO não comentou, mas o enredo da Vila, se não estou enganada, foi inspirado num trabalho do mestre Martinho da Vila: CANTO LIVRE DE ANGOLA, em vinil, guardadinho aqui no meu cafofo, resultado de suas andanças por aquelas terras. A Mangueira é a Mangueira. Quando tá ruim tá boa, quando tá boa então...Cuidado que a Mangueira vem aí... Em sua justa homenagem ao Cacique de Ramos, a Mangueira brincou, literalmente, na avenida. Cantou, sambou, encantou, fez chorar e mais uma vez, deixou sua marca registrada na avenida: uma escola de raça e de muita emoção. Bem, as outras, fizeram o de sempre. Mas como não sou, ainda, comentarista de carnaval, escrevi só mesmo prá deixar registrado algum dado do carnaval de 2012 aqui no blog - pq vai que o alemão me pega e saio esquecendo tudo, né?!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

GRANDE RIO: A GENTE SE LIGA EM VC !

Chega a ser PIEGAS a GRANDE RIO com seu deslumbramento pela Rede Globo. Em 2013 o enredo é BONI.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

VALCI PELÉ, um pouco mais que "samba no pé".

Conheci Valci Pelé em meados de 1997, na quadra da Portela. Quieto e reservado, desfilávamos na mesma ala, mas nunca nos tornamos grandes amigos. De um tempo prá cá, tenho visto muitas coisas legais para o samba, fruto do trabalho desse cara de poucas palavras mas de muita ação. Valci está envolvido em muitos projetos que visam a valorização da dança do samba, acho que o primeiro deles foi o PROJETO PRIMEIRO PASSO, com passistas mirins da Portela, depois veio a CIA. DANÇA DO SAMBA, que é uma companhia de teatro que monta musicais; o GRUPO JAQUEIRA, de músicos-passistas portelenses e mangueirenses que cantam clássicos do samba; e até um projeto de lei n. 4462 que insituiu o dia 19 de janeiro como o DIA DO PASSISTA! Valci não está no mundo a passeio, não tem só samba no pé, tem idéias bacanas que muito colaboram para a presevação do samba enquanto dança, lindamente executada pelos passistas.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

WANTUIR, INTÉRPRETE OFICIAL DA GRANDE RIO, LANÇA CD

Wantuir, agora, de Oliveira, intérprete oficial da GRES Grande Rio, comemorou o lançamento do seu primeiro CD "SIMPLICIDADE", no dia 15/11/2011 na quadra da Escola em Duque de Caxias. Lembro-me do Wantuir na Porto da Pedra e depois na Tradição. Dizia-se que ele era um cantor, que tinha uma voz bacana, etc. Acho que Wantuir poderia ter aproveitado melhor seu evento. A quadra da escola, que talvez lhe tenha sido ofertada gratuitamente, não foi a melhor escolha, pois faltou algo primordial para um artista: o glamour. O artista vive desse glamour, desse mistério que o envolve e que atrai seu público. Na GR ele é figurinha fácil, então não foi um bom lugar. A organização falhou, não havia nehnhum controle de convidados e a quadra mais parecia um dia de samba qualquer: as pessoas de chinelo, camiseta, e muita cerveja nos odiosos baldes cheios de gêlo, que depois derretidos, formam aquela lama horrososa! Os convidados, em sua maioria tb puxadores de escola de samba (Neguinho de Beija Flor, Bruno Ribas, Gilsinho da Portela e outros) também pareciam meio apagados pelo ambiente. Por fim, o cantor entrega o microfone à mulher e a filha, tornando o evento quase um ... Karaoke em família. Mas, nem tudo está perdido, talvez a noite de gala seja no dia 18/11/2011 no Teatro Raul Cortez. Wantuir, além de talentoso, é um cara bacana e mereçe um lugar no ao sol no mercado do samba.

domingo, 9 de outubro de 2011

SOU CACIQUE, SOU MANGUEIRA

Aconteceu ontem (08/10) a escolha do samba da Mangueira para o carnaval 2012.
Sendo uma data festiva, sabe-se que as quadras vão lotar, então um pouco de logística e gerenciamento se faz necessário. E a organização da escola parece que se esforçou em tornar pior o que normalmente, tende a ser ruim.

Calma, não me apedregem! Eu tb sou mangueirense e adoro escolha de samba! Mas o que aconteceu ontem em Mangueira, foi, no mínimo, desrespeitoso. Obviamente que não estou falando para a milionária Beth Lagardére ou para o estilista Jean Paul Gaultier. Estou falando pro povo que pagou R$40,00 pelo ingresso.

Do lado de fora, a cerveja custava R%5,00. Menos de 200 ml de um caldinho de mocotó, R$5,00, água, R$3,50. O controle da entrada estava rigoroso e mesmo a comunidade teve dificuldade em entrar na quadra.

Agora, os arranjos e arrumações que foram criados na quadra, são um capítulo à parte. Não, não é saudosismo, ou caduquice por achar que as coisas não devem mudar. Não, não é isso.
Mas mudar, só se for prá melhor, Presidente!!!

Primeira coisa a ser dita é que FEIJOADA E ESCOLHA DE SAMBA NO MESMO DIA NÃO FUNCIONA! E não funcionou: o som deu pane - até 2h30min nenhum microfone funcionava. Depois, ainda que rapidamente, faltou energia e não foi culpa da Light, mas do "jeitinho" que se tentava dar prá fazer o som funcionar.
Todas as bebidas acabaram antes mesmo do último samba se apresentar!
A quadra estava um lamaçal. Bem, mas isso só sabe quem tava no chão da quadra. Do camarote não dá prá perceber.

Outra coisa: o Presidente faz um discurso dizendo que a quadra é pequena, que precisam construir uma nova, no prédio onde funcionou um dia o IBGE, etc... Mas se a quadra é pequena, segundo o próprio Presidente, quem teve a genial idéia de colocar um palco no meio desta quadra pequena???

Tablados por toda parte onde foram colocadas as mesas. Nos corredores laterais, em baixo dos camarotes que já haviam, foram "criados" novos camarotes. No centro da quadra, um palco para os puxadores. Aliás, na minha modesta opinião, era muito bom aquele espaço originalmente criado para os puxadores. Mas... e o infeliz do povão ficou aonde? Bem, deixa prá lá. Prefiro não comentar.

Como pau que dá em Chico, dá em Francisco, a escola de samba, como instituição brasileira, não poderia ser diferente, né?! Nem mesmo sendo a minha gloriosa Mangueira.

Mas o que foi bom então???

A Mangueira em si. Ver o balançar da bandeira da escola, o dançar do casal de mestre sala e porta bandeira, ver a alegria do mangueirense, rever os amigos, a bateria nota 1000, a esperança de mais um carnaval emocionante e honroso, como todos os carnavais da mangueira.

No carnaval passado as duas palavras da hora eram: SUPERAÇÃO E CHÃO. Na Mangueira, pelo menos na quadra, o "chão" da escola tá meio abandonado.

As críticas aqui lançadas, tem dois únicos objetivos: registro e desejo de mudança, porque como bem canta o Bola Preta "quem não chora, não mama..."

sexta-feira, 20 de maio de 2011

MARTINHO DA VILA

Esta semana tive muitas saudades do disco ROSA DO POVO, do mestre Martinho da Vila. Eu cantava todas as músicas deste disco. Então fiquei curiosa em saber o ano em que ele foi lançado, e pesquisando na discografia, descobri, surpresa, que foi em 1976, o que significa que eu tinha 10 anos!
Ah! vocês não vão pegar a maquininha prá quererem saber quantos anos eu tenho agora, não é mesmo?! Mas voltando ao Martinho, esse disco é maravilhoso, uma obra prima, a começar pela capa.

O disco traz sambas clássicos como CLAUSTROFOBIA, do próprio Martinho da Vila; JOÃO E JOSÉ, de Martinho da Vila e João Nogueira; HISTÓRIA DA LIBERDADE DO BRASIl, um magnífico samba-enredo; PIQUINIQUE, CHORAR NÃO CABE AGORA, em fim, o disco todo é um primor.
Aí fui vendo outros discos, tais como CANTA, CANTA, MINHA GENTE (1974); MARAVILHA DE CENÁRIO (1975); PRESENTE (1977); TENDINHA (1978), TERREIRO, SALA E SALÃO (1978) e muitos outros.

Uma das poucas saudades que eu tenho da infância são as músicas que eu ouvia. Deu no que deu, né?!

Martinho José Ferreira, o nosso Martinho da Vila, tem ginga de carioca mas nasceu no interior do Estado, em Duas Barras. Filho de lavradores, veio para o Rio de Janeiro com 4 anos.
Adulto, trabalhou como Auxiliar de Químico Industrial, como Sargento Burocrata, cursou a Escola de Instrução Especializada, tornando-se escrevente e contador. Em 1970, deu baixa para se tornar cantor profissional. Logo tornou-se um dos mais respeitados artistas brasileiros além de um dos maiores vendedores de disco no Brasil.

Sua vida de sambista (ritmista, passista, compositor, puxador de samba enredo, presidente de ala e administrador) começou na extinta Escola de Samba Aprendizes da Boca do Mato.
Ingressou e passou a dedicar-se de corpo e alma à Escola do Bairro de Noel em 1965 e a história da Unidos de Vila Isabel se confunde com a de Martinho que passou a seu chamado de o Da Vila. Nunca exerceu a presidência administrativa da escola, mas por vária vezes esteve à frente da agremiação da qual é o Presidente de Honra.

Embora compositor indutivo e cantor sem formação acadêmica, tem uma grande ligação com a música erudita e idealizou, em parceria como Maestro Leonardo Bruno o Concerto Negro, espetáculo sinfônico que enfoca a participação da cultura negra na música erudita, participou do projeto Clássicos do Samba sob a regência do saudoso Maestro Sílvio Barbato.

Além de compositor e cantor, é escritor autor de 10 livros.

Quem não for doente do pé e quiser conhecer mais sobre o mestre: www.martinhodavila.com.br

segunda-feira, 25 de abril de 2011

MALDITAS PALAVRAS


Oh! malditas palavras, que por vezes, dizem mais do que se quer.
Censuradas, sensuais, imorais, amorais, amorosas...
Revelam idéias e nada mais.
Podem ser até afetivas, mas nem sempre efetivas.
Se vierem dos céus têm o poder de SER; se da Terra, apenas de DIZER .
Deus DISSE e tudo se fez, mas não sou Deus, e, apenas amo essas malditas palavras, ingratas, que hoje me tornam réu e me condenam à solidão.

sábado, 16 de abril de 2011

AMOR DE VERDADE

Dizem que todo mangueirense é fanático. Eu concordo. Mangueirense é igual à Flamenguista: se acham. Na verdade, mangueirense não é torcida, é nação.
O ano era 1998, a Mangueira ganhou carnaval com uma linda homenagem a Chico Buarque. Nesse carnaval, fomos a tooodos os ensaios. Todo sábado estávamos lá. Desde o lançamento dos mais de 80 sambas em junho de 97 até o desfile das campeãs em fevereiro de 98!
Já tínhamos nossa mesinha fiel e nosso garçom super gente boa. Chegávamos, ele colocava o primeiro de muitos baldes, cheinhos de Skol, falávamos com todo mundo e todo mundo falava conosco, era uma troca de gentileza que demonstrava muito bem o espírito de corpo de uma verdadeira escola de samba. A bateria era a grande estrela da noite, anunciada pela grande e saudoso "Beto Fim de Noite".
Tocavam os sambas antigos até os atuais. Era um passeio musical pela estória da Mangueira. E o povo cantava, orgulhoso como todo bom mangueirense.
Nesse ano já havia no ar um certo pressentimento em relação ao campeonato da Mangueira, era o samba mais tocado nas rádios e nas quadras, o carisma do Chico Buarque, em fim, tudo estava a nosso favor.

Agora, mais fanático que mangueirense, só passista mangueirense. Já havia avisado: se a Mangueira ganhar, vou correndo prá quadra comemorar.
Chamei um casal de amigos lá prá casa prá assistirmos a apuração. Ele era passista, ela ficava passista de vez em quando. Ele, mangueirense, ela, portelense. Ambos desfilavam pela Portela, onde eu também desfilava, pq naquela época, a Portela sempre desfilava no Domingo e a Mangueira na segunda.
Eles tinham dois filhos pequenos: Gabriel e Gustavo.
Quando eles chegaram, já fui logo avisando: se a Mangueira ganhar, vou correndo prá quadra.
Abre um envolope, 10; abre outro envolope, 10, muito grito, muitos fogos, quando restavam apenas samba enredo, bateria, mestre-sala e porta-bandeira, falei:
- Nesses quesitos não tem prá ninguém, ganhamos o carnaval!!! Bora todo mundo prá Mangueira. Aí minha comadre diz:
- Meu Deus, cadê a meia do Gabriel? E a chupeta do Gustavo?

A alegria e a pressa de chegar era tão grande que deixei todo mundo prá trás, peguei um ônibus e me mandei prá quadra. Chegando lá encontrei meu Presidente Elmo, nos abraçamos, choramos, nos enrolamos na bandeira... Coisa mesmo de mangueirense.
Depois de mais de uma hora chega meu marido, meus compadres e as crianças. Todo mundo de meinha e chupeta.
Lá pelas tantas, só alegria, fomos prá de baixo do viaduto, na barraca da Cida, e aí chegou um amigo mineiro, portelense, com sua trupe - um pessoal meio empata que andava com ele de vez em quando.
Nesse ano, Nilópolis foi vice. E no auge da nossa alegria, a amiga do amigo solta essa:

- A Mangueira roubou esse carnaval. Quem tinha que ter ganhado era a Beija Flor.

O bicho pegou.

- Como é que é?! Tú vem prá Mangueira, em baixo do viaduto, na barraca da Cida, reduto de mangueirense, esculachar com a minha escola. Ah, não!
Aí foi um pega prá capar. Como diria Preta Gil: foi babado, confusão e gritaria.
Nunca mais apareceu. Foi catar coquinho em Nilópolis

EM FIM, A RESERVA E A CADEIRA

O tempo passa e a gente nem percebe. Trinta anos se passaram desde os tempos na escola de especialista, o tempo do “novinho”, do “mais moderno” ficou prá trás.
Agora é se acostumar com a nova pele: a pele civil, a pele sem farda!
Caramba! Como é cruel e estranho a vida sem farda. Aquela que fazia as mulheres suspirarem ...- diga-se de passagem, mais pela farda em si, do que por quem as usava -, aquela segunda pele que nos dava a maior moral.
Claro que agora, prá quem vive nessas terras, farda é passaporte pro além, pq vai que bate de frente com “os caras”?! Eles não querem nem saber se teu negócio é avião, navio; eles mandam bala mesmo.
Com a reserva surgem também planos. Planos de descansar, de beber TOOODAS no domingo, já que no dia seguinte não tem quartel, de arrumar outro emprego só prá matar o tempo (tá bom!), de voltar a estudar - tá cheio de faculdade prá 3ª idade - e até prá entrar numa academia.
Depois de trinta anos de trabalho a barriga já cresceu um pouco, o cabelo já caiu, o corpo perdeu aquele vigor e a mulher já não anda tão feliz. Então é hora de malhar.
O papo era esse. Meu camarada Bernardo Negão, que serviu comigo em Belém do Pará, terra boa (muito boa!!!) falou que eu devia me exercitar, caminhar. Então eu falei que tava até pensando em comprar uma cadeira.
Prá quê!
Primeiro rolou aquele silêncio, certamente, geral pensando que tipo de cadeira seria.
O Negão perguntou:

- De balanço?

Eu respondi:

-Claro que não!

Aí a mulher dele, D. Silvia, começou a rir sem parar. E a minha mulher, que também se chama Silvia, me olhou com desdém e mandou:

-Cadeira? Só se for geriátrica!

Não satisfeita, completou:

-Ou de rodas.

Aí já era sacanagem. Eu, usando cadeira geriátrica ou de rodas! O que que a galera vai pensar???

Nisso, D. Silvia (não a minha, mas a do Negão) já tava chorando de tanto rir. É muito esculacho!!!
Depois de tantas sugestões – cadeira de balanço, geriátrica, de rodas - consegui finalmente dizer qual cadeira eu queria comprar: Uma cadeira de ginástica!!!

Prá terminar, D. Silvia:

- Serginho, a minha sugestão era a melhor de todas: uma cadeira erótica!!!

Valeu, D. Silvia!

O FURDÚNCIO NO COQUEIRO

Esse coqueiro aqui não é árvore não. É um amigo que já passou dos 70, deu uma repaginada no coração e continua firme e forte, recebendo os amigos nos finais de semana.
Os amigos são na verdade, os amigos, os vizinhos e até os inimigos, se bobear.
O cara era um músico-militar, agora na reserva, gostava da noitada e da boemia. Ossos do ofício. Mas agora tá devagar. Como não pode ir mais pro furdúncio, traz o furdúncio prá sua casa.
Coitada da D. Olívia. Uma santa! Maneja um forno e fogão como ninguém e seu rocambole de camarão é famoso. Ninguém sai de lá sem comer. É lei. E a comida não é qualquer coisa não, é camarão, bacalhau, churrasco de primeira.
Mas o problema não é a comida. O problema é a danada da cachaça.
Cerveja lá é fácil como água. E olha que água não tá tão fácil assim, então vamos corrigir: cerveja lá é mais fácil que água. É só de litrão, a perdição da galera.
Só tem figura! Tem a Luluzinha, que depois de umas e outras, fica com o olho fechadinho, mas ligada em tudo, se derrubar é pênalti.
Tem a Silvinha e seu filho “ai molequinho”. Caracole, o garotinho é a cara do “Ai moleque” do Pânico, ô moleque levado! Tadinho, o moleque fica perdidinho no meio daquele monte de Bob Esponja e aí começa a aprontar.
Tem também a Simony, cujos filhos já mamam Antarctica direto da fonte.
Né brinquedo não! O negócio é sério.
Um dia foi prá lá uns amigos de Guapimirim. Foram fazer uma visita rápida e ficaram uma semana. O casal bebe direitinho, mas ele começou a sentir uma dor de dente daquelas! A dor foi aumentando e o cara só se anestesiando na gelada. Chegou uma hora que não dava mais, o cara tava pirando de tanta dor.
Aí, o Coqueiro teve uma idéia genial:

- Olívia, liga pro parceiro Beto e convida ele prá vir aqui tomar umas com a gente.

Convite feito, convite aceito. Lá fomos nós prá São João de Meriti.
Chegando lá, o pagode rolando, o povo cantando, e num quartinho da casa, um sujeito desesperado de dor de dente.
Aí, o coqueiro, na maior cara de pau, manda essa:

- Gente, olha que coincidência, o amigo que chegou é dentista!

Em minutos apareceu um verdadeiro instrumental cirúrgico: faca de cozinha, palito de dente, agulha de crochê, de costura, algodão e álcool. Tinha até o auxiliar de consultório: o “Ai molequinho”.

Caracole, esse povo é maluco. O Doutor mandou ver, meche daqui, cutuca dali, pega uma pomadinha lá no carro, e num passe de mágica, o cara tava tranquilinho, tranquilinho, cantando pagode e tomando uma cervejinha bem gelada, que ninguém é de ferro!

CRÔNICA OU CONTO???

Abusada demais, resolvi compartilhar com meus amiguinhos umas besterinhas prá fazer rir. Começo agora a publicar aqui no blog uns contos/crônicas.
Espero que gostem.

FIM DOS TEMPOS

Um cara entra numa escola pública, atira contra vários adolescentes, aleatoriamente, e depois comete suicídio. Mata 12 e fere outros tantos. Diz que foi vítima de bullying quando estudante desta mesma escola, no passado.
O mundo está cheio das novidades. Esse tipo de crime é uma novidade no Brasil. O bullying, embora sempre tenha exisitido, foi alçado pela mídia como um fenômeno novo.
Como diria Giddens, consequências da modernidade.

domingo, 27 de março de 2011

CARNAVAL 2011

Cançada, acabei não escrevendo a tempo sobre o desfile das escolas de samba deste ano. Agora, já com propaganda de Páscoa, Dia das Mães e Festa Junina, falar de carnaval fica meio sem sentido.

Então, brevemente, vou dizer o que todos já sabem: A Beija Flor é suspeita com suas notas 10, mas emocionou o público com O Rei Roberto Carlos que é nota 1000!. A Tijuca de Paulo Barros está mais prá Hollywood que prá carnaval. Imperatriz, com seu samba maravilhsoso, e Mocidade, fizeram um lindo desfile.

Das escolas que não concorreram, a Ilha fez um desfile digno de aplusos. Alegre como sempre, forte e bonita.
Portela, brigou, brigou, mas o incendio acabou sendo providencial. Estava morna e sem vida.
A Grande Rio foi simplesmente, cançativa.

Mas a Mangueira... deu um show na avenida!!! Parabéns à Mangueira, parabéns aos mangueirenses e parabéns a Bateria.
A nação verde e rosa está orgulhosa. Ano que vem tem mais.

Só prá adiantar: quem se lembra de um samba gravado por Beth Carvalho que diz assim: "SOU CACIQUE E SOU MANGUEIRA, DEIXA FALAR QUEM QUISER..."???
É MANGUEIRA 2012.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

QUEM NÃO GOSTA DE SAMBA, BOM SUJEITO NÃO É...

Uma amiga queridíssima se revelou muito chateada com o trânsito no Centro do Rio, culpa do Cordão do Bola Preta que tomou toda a Av. Rio Branco, ontem á noite, no final do expediente, há mais de uma semana do calendário oficial do carnaval!
Atônita, não sabia onde estavam passando os ônibus.

"Quem não chora, não mama, segura meu bem, a chupeta. Lugar quente é na cama, ou então no Bola Preta"

Como diria D. Dulcinéia, mais conhecida como Pérola: "Vai vendo".