Informo aos meus queridos e parcos leitores que ando muito ocupada, cheia das audiências, dos processos, dos infindáveis textos de sociologia prá serem lidos semanalmente.
Aguardem que em breve teremos novidades.
Beijos.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
MALDITAS PALAVRAS

Oh! malditas palavras, que por vezes, dizem mais do que se quer.
Censuradas, sensuais, imorais, amorais, amorosas...
Revelam idéias e nada mais.
Podem ser até afetivas, mas nem sempre efetivas.
Se vierem dos céus têm o poder de SER; se da Terra, apenas de DIZER .
Deus DISSE e tudo se fez, mas não sou Deus, e, apenas amo essas malditas palavras, ingratas, que hoje me tornam réu e me condenam à solidão.
sábado, 16 de abril de 2011
AMOR DE VERDADE
Dizem que todo mangueirense é fanático. Eu concordo. Mangueirense é igual à Flamenguista: se acham. Na verdade, mangueirense não é torcida, é nação.
O ano era 1998, a Mangueira ganhou carnaval com uma linda homenagem a Chico Buarque. Nesse carnaval, fomos a tooodos os ensaios. Todo sábado estávamos lá. Desde o lançamento dos mais de 80 sambas em junho de 97 até o desfile das campeãs em fevereiro de 98!
Já tínhamos nossa mesinha fiel e nosso garçom super gente boa. Chegávamos, ele colocava o primeiro de muitos baldes, cheinhos de Skol, falávamos com todo mundo e todo mundo falava conosco, era uma troca de gentileza que demonstrava muito bem o espírito de corpo de uma verdadeira escola de samba. A bateria era a grande estrela da noite, anunciada pela grande e saudoso "Beto Fim de Noite".
Tocavam os sambas antigos até os atuais. Era um passeio musical pela estória da Mangueira. E o povo cantava, orgulhoso como todo bom mangueirense.
Nesse ano já havia no ar um certo pressentimento em relação ao campeonato da Mangueira, era o samba mais tocado nas rádios e nas quadras, o carisma do Chico Buarque, em fim, tudo estava a nosso favor.
Agora, mais fanático que mangueirense, só passista mangueirense. Já havia avisado: se a Mangueira ganhar, vou correndo prá quadra comemorar.
Chamei um casal de amigos lá prá casa prá assistirmos a apuração. Ele era passista, ela ficava passista de vez em quando. Ele, mangueirense, ela, portelense. Ambos desfilavam pela Portela, onde eu também desfilava, pq naquela época, a Portela sempre desfilava no Domingo e a Mangueira na segunda.
Eles tinham dois filhos pequenos: Gabriel e Gustavo.
Quando eles chegaram, já fui logo avisando: se a Mangueira ganhar, vou correndo prá quadra.
Abre um envolope, 10; abre outro envolope, 10, muito grito, muitos fogos, quando restavam apenas samba enredo, bateria, mestre-sala e porta-bandeira, falei:
- Nesses quesitos não tem prá ninguém, ganhamos o carnaval!!! Bora todo mundo prá Mangueira. Aí minha comadre diz:
- Meu Deus, cadê a meia do Gabriel? E a chupeta do Gustavo?
A alegria e a pressa de chegar era tão grande que deixei todo mundo prá trás, peguei um ônibus e me mandei prá quadra. Chegando lá encontrei meu Presidente Elmo, nos abraçamos, choramos, nos enrolamos na bandeira... Coisa mesmo de mangueirense.
Depois de mais de uma hora chega meu marido, meus compadres e as crianças. Todo mundo de meinha e chupeta.
Lá pelas tantas, só alegria, fomos prá de baixo do viaduto, na barraca da Cida, e aí chegou um amigo mineiro, portelense, com sua trupe - um pessoal meio empata que andava com ele de vez em quando.
Nesse ano, Nilópolis foi vice. E no auge da nossa alegria, a amiga do amigo solta essa:
- A Mangueira roubou esse carnaval. Quem tinha que ter ganhado era a Beija Flor.
O bicho pegou.
- Como é que é?! Tú vem prá Mangueira, em baixo do viaduto, na barraca da Cida, reduto de mangueirense, esculachar com a minha escola. Ah, não!
Aí foi um pega prá capar. Como diria Preta Gil: foi babado, confusão e gritaria.
Nunca mais apareceu. Foi catar coquinho em Nilópolis
O ano era 1998, a Mangueira ganhou carnaval com uma linda homenagem a Chico Buarque. Nesse carnaval, fomos a tooodos os ensaios. Todo sábado estávamos lá. Desde o lançamento dos mais de 80 sambas em junho de 97 até o desfile das campeãs em fevereiro de 98!
Já tínhamos nossa mesinha fiel e nosso garçom super gente boa. Chegávamos, ele colocava o primeiro de muitos baldes, cheinhos de Skol, falávamos com todo mundo e todo mundo falava conosco, era uma troca de gentileza que demonstrava muito bem o espírito de corpo de uma verdadeira escola de samba. A bateria era a grande estrela da noite, anunciada pela grande e saudoso "Beto Fim de Noite".
Tocavam os sambas antigos até os atuais. Era um passeio musical pela estória da Mangueira. E o povo cantava, orgulhoso como todo bom mangueirense.
Nesse ano já havia no ar um certo pressentimento em relação ao campeonato da Mangueira, era o samba mais tocado nas rádios e nas quadras, o carisma do Chico Buarque, em fim, tudo estava a nosso favor.
Agora, mais fanático que mangueirense, só passista mangueirense. Já havia avisado: se a Mangueira ganhar, vou correndo prá quadra comemorar.
Chamei um casal de amigos lá prá casa prá assistirmos a apuração. Ele era passista, ela ficava passista de vez em quando. Ele, mangueirense, ela, portelense. Ambos desfilavam pela Portela, onde eu também desfilava, pq naquela época, a Portela sempre desfilava no Domingo e a Mangueira na segunda.
Eles tinham dois filhos pequenos: Gabriel e Gustavo.
Quando eles chegaram, já fui logo avisando: se a Mangueira ganhar, vou correndo prá quadra.
Abre um envolope, 10; abre outro envolope, 10, muito grito, muitos fogos, quando restavam apenas samba enredo, bateria, mestre-sala e porta-bandeira, falei:
- Nesses quesitos não tem prá ninguém, ganhamos o carnaval!!! Bora todo mundo prá Mangueira. Aí minha comadre diz:
- Meu Deus, cadê a meia do Gabriel? E a chupeta do Gustavo?
A alegria e a pressa de chegar era tão grande que deixei todo mundo prá trás, peguei um ônibus e me mandei prá quadra. Chegando lá encontrei meu Presidente Elmo, nos abraçamos, choramos, nos enrolamos na bandeira... Coisa mesmo de mangueirense.
Depois de mais de uma hora chega meu marido, meus compadres e as crianças. Todo mundo de meinha e chupeta.
Lá pelas tantas, só alegria, fomos prá de baixo do viaduto, na barraca da Cida, e aí chegou um amigo mineiro, portelense, com sua trupe - um pessoal meio empata que andava com ele de vez em quando.
Nesse ano, Nilópolis foi vice. E no auge da nossa alegria, a amiga do amigo solta essa:
- A Mangueira roubou esse carnaval. Quem tinha que ter ganhado era a Beija Flor.
O bicho pegou.
- Como é que é?! Tú vem prá Mangueira, em baixo do viaduto, na barraca da Cida, reduto de mangueirense, esculachar com a minha escola. Ah, não!
Aí foi um pega prá capar. Como diria Preta Gil: foi babado, confusão e gritaria.
Nunca mais apareceu. Foi catar coquinho em Nilópolis
EM FIM, A RESERVA E A CADEIRA
O tempo passa e a gente nem percebe. Trinta anos se passaram desde os tempos na escola de especialista, o tempo do “novinho”, do “mais moderno” ficou prá trás.
Agora é se acostumar com a nova pele: a pele civil, a pele sem farda!
Caramba! Como é cruel e estranho a vida sem farda. Aquela que fazia as mulheres suspirarem ...- diga-se de passagem, mais pela farda em si, do que por quem as usava -, aquela segunda pele que nos dava a maior moral.
Claro que agora, prá quem vive nessas terras, farda é passaporte pro além, pq vai que bate de frente com “os caras”?! Eles não querem nem saber se teu negócio é avião, navio; eles mandam bala mesmo.
Com a reserva surgem também planos. Planos de descansar, de beber TOOODAS no domingo, já que no dia seguinte não tem quartel, de arrumar outro emprego só prá matar o tempo (tá bom!), de voltar a estudar - tá cheio de faculdade prá 3ª idade - e até prá entrar numa academia.
Depois de trinta anos de trabalho a barriga já cresceu um pouco, o cabelo já caiu, o corpo perdeu aquele vigor e a mulher já não anda tão feliz. Então é hora de malhar.
O papo era esse. Meu camarada Bernardo Negão, que serviu comigo em Belém do Pará, terra boa (muito boa!!!) falou que eu devia me exercitar, caminhar. Então eu falei que tava até pensando em comprar uma cadeira.
Prá quê!
Primeiro rolou aquele silêncio, certamente, geral pensando que tipo de cadeira seria.
O Negão perguntou:
- De balanço?
Eu respondi:
-Claro que não!
Aí a mulher dele, D. Silvia, começou a rir sem parar. E a minha mulher, que também se chama Silvia, me olhou com desdém e mandou:
-Cadeira? Só se for geriátrica!
Não satisfeita, completou:
-Ou de rodas.
Aí já era sacanagem. Eu, usando cadeira geriátrica ou de rodas! O que que a galera vai pensar???
Nisso, D. Silvia (não a minha, mas a do Negão) já tava chorando de tanto rir. É muito esculacho!!!
Depois de tantas sugestões – cadeira de balanço, geriátrica, de rodas - consegui finalmente dizer qual cadeira eu queria comprar: Uma cadeira de ginástica!!!
Prá terminar, D. Silvia:
- Serginho, a minha sugestão era a melhor de todas: uma cadeira erótica!!!
Valeu, D. Silvia!
Agora é se acostumar com a nova pele: a pele civil, a pele sem farda!
Caramba! Como é cruel e estranho a vida sem farda. Aquela que fazia as mulheres suspirarem ...- diga-se de passagem, mais pela farda em si, do que por quem as usava -, aquela segunda pele que nos dava a maior moral.
Claro que agora, prá quem vive nessas terras, farda é passaporte pro além, pq vai que bate de frente com “os caras”?! Eles não querem nem saber se teu negócio é avião, navio; eles mandam bala mesmo.
Com a reserva surgem também planos. Planos de descansar, de beber TOOODAS no domingo, já que no dia seguinte não tem quartel, de arrumar outro emprego só prá matar o tempo (tá bom!), de voltar a estudar - tá cheio de faculdade prá 3ª idade - e até prá entrar numa academia.
Depois de trinta anos de trabalho a barriga já cresceu um pouco, o cabelo já caiu, o corpo perdeu aquele vigor e a mulher já não anda tão feliz. Então é hora de malhar.
O papo era esse. Meu camarada Bernardo Negão, que serviu comigo em Belém do Pará, terra boa (muito boa!!!) falou que eu devia me exercitar, caminhar. Então eu falei que tava até pensando em comprar uma cadeira.
Prá quê!
Primeiro rolou aquele silêncio, certamente, geral pensando que tipo de cadeira seria.
O Negão perguntou:
- De balanço?
Eu respondi:
-Claro que não!
Aí a mulher dele, D. Silvia, começou a rir sem parar. E a minha mulher, que também se chama Silvia, me olhou com desdém e mandou:
-Cadeira? Só se for geriátrica!
Não satisfeita, completou:
-Ou de rodas.
Aí já era sacanagem. Eu, usando cadeira geriátrica ou de rodas! O que que a galera vai pensar???
Nisso, D. Silvia (não a minha, mas a do Negão) já tava chorando de tanto rir. É muito esculacho!!!
Depois de tantas sugestões – cadeira de balanço, geriátrica, de rodas - consegui finalmente dizer qual cadeira eu queria comprar: Uma cadeira de ginástica!!!
Prá terminar, D. Silvia:
- Serginho, a minha sugestão era a melhor de todas: uma cadeira erótica!!!
Valeu, D. Silvia!
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